03/08/2017

RESENHA #50 - ”DESAFINADOS NO CORO DOS CONTENTES” (LITERATURA NACIONAL) - AGUINALDO TADEU

LIVRO:”DESAFINADOS NO CORO DOS CONTENTES” (LITERATURA NACIONAL)
AUTOR:AGUINALDO TADEU
EDITORA:GIOSTRI
PÁGINAS –170
1ª  EDIÇÃO 2014
CATEGORIA: LITERATURA BRASILEIRA
ASSUNTO: ROMANCE
ISBN: - 978-85-8108-469-5



CITAÇÃO:

“Por isso, muitos me chamam de maluco. Sou diferente, penso diferente e ajo diferente. Quero ser livre!
Minha natureza é ser livre.
Minha natureza é ser artista.” (pág.9)

Quero ter uma vida comum, mas quero também o direito de ser incomum. Mas não é fácil ser diferente. Todos te querem um ser comum. Todos te querem um ser igual a grande massa dos comuns. O diferente incomoda os acomodados. Acho que sou desafinado no coro dos contentes.” (pág. 10)

“Quero uma vida comum, mesmo sendo diferente, do meu jeito. Mas não é fácil ser diferente. Todos te querem igual. Todos te querem como a grande massa dos comuns. O diferente incomoda os acomodados. Acho que sou um desafinado no coro dos contentes.” (pág. 12)

“[...] Infelizes somos todos nós que não aproveitamos nosso tempo e não vivemos nossas vidas. Tinha vontade de gritar, mas me contive. Às vezes, é melhor ficar calado, para não ser incompreendido e julgado.” (pág. 20)

“[...] Todos nesse mundo ordinário de aparências só veem a casca. Somos o que parecemos ser.” (pág. 20)


ANÁLISE TÉCNICA:

-CAPA-

Sapato social de cadarço e uma bota suja e velha.
Mostra a dualidade da realidade retratada no livro.
Feita por Michel Kennedy.

NOTA: 4,70 DE 5,00

-DIAGRAMAÇÃO:

As folhas são amareladas com letras pretas um pouquinho acima da média que facilitam a leitura.
Conteúdo: agradecimento; dedicatória; sumário; e os capítulos com títulos.
Capítulos curtos e dinâmicos.
É uma diagramação simples, porém eficiente para leitura.
Feita por Karolyna Papoy.

NOTA: 4,80 de 5,00


- ESCRITA:

A narrativa descritiva é feita em primeira pessoa pelos protagonistas Arthur e Kimkimem capítulos intercalados entre eles.
Diálogos curtos e ágeis que facilitam o entendimento.
Linguagem bem contemporânea e corriqueira que traz identificação com o texto.
Pequenos erros de ortografia como separação de sílabas que não atrapalham o entendimento.
Revisão final de texto de Giostri Editora Ltda.

NOTA: 4,70 de 5,00


CITAÇÃO:

“Trabalhar todos os dias, cumprir sempre a mesma rotina, é uma espécie de escravidão moderna, consentida, incentivada, na qual o escravo vende suas ideias, seu tempo, suas energias e sua calma, por um punhado de dinheiro.” (pág. 21)

“[...] Todos nos querem iguais. Uma só massa humana. Com as mesmas ideias, as mesmas falas, os mesmos comportamentos. Eu penso diferente, falo diferente e ajo diferente. Isso irrita. Mas eu não fico nem um pouco perturbado. Já me acostumei com o mundo pequeno a minha volta.” (pág. 42)

“[...] Estou satisfeito do meu jeito e acho que os outros ditam, no coro dos contentes, não estão tão felizes assim. São escolhas. Nossa vida é feita de escolhas. Fazemos escolhas todos os dias, o tempo todo. E todas elas têm seu preço.” (pág. 43)

“[...] Graças a Deus, ainda tem gente boa nesse mundo. [...] Têm pessoas que são muito fracas de espírito. Quando sobem um degrau na escala social já se acham no direito de pisar naqueles que estão embaixo. Elas acham que na morte ter hierarquia como na vida. Coitadas. Esas pessoas bobas não sabem que no final, somos todos iguais. Tenho pena delas. Pena...” (pág. 89)

“[...] Uma pessoa que lâ sempre me desperta interesse. Um livro é um sinal de reconhecimento entre almas irmãs. Para mim, um livro nas mãos distingue as pessoas. [...]”(pág. 91)


SINOPSE:

“Um artista de rua, irreverente e de língua solta, que nem sempre agrada a todos com as coisas que diz sobre o que pensa do Brasil de hoje e das pessoas que o governam. Um funcionário público que na verdade gostaria de ser escritor. Duas vidas bem diferentes, que ao se cruzarem afetam diretamente uma à outra. Passada na Capital Federal, conectada à realidade do país, uma história cativante e surpreendente.”

CITAÇÃO:

“Ler e escrever caminham juntos. São as duas faces da mesma moeda. Não tem jeito, uma sempre puxa a outra. [...]” (pág. 100)

“[...] Sinto falta de seu colo. Saudade de mãe é a maior dor do mundo. [...]” (pág. 108)

[...] O Brasil todo, de certa forma, estava ali também. Pela primeira vez em muitos anos, o povo estava às ruas, cumprindo o seu papel de cidadão, cobrando o que está na nossa bandeira nacional: ordem e progresso.” (pág. 110)

“Durante esses dias, para passar o tempo, li compulsivamente. Ler sempre foi uma fuga nos momentos difíceis, uma atividade muito prazerosa, talvez uma das coisas mais gostosas da minha vida. Na companhia de um livro, não preciso de mais nada. A leitura por si só me basta. É o principal alimento para o meu coração perturbado.” (pág. 122)


RESUMO SINÓPTICO:

ARTHUR  mora numa quitinete minúscula em Brasília, desde que passou em concurso público e deixou a casa dos pais no interior de Minas. Tem três grandes paixões: a leitura, assistir os jogos do Náutico e as mulheres, embora não tenha encontrado a mulher ideal e vive em busca, sem compromisso sério com nenhuma. Vive insatisfeito com sua profissão, acredita que trabalhar muitas horas por dia, fazer atendimento, carimbar papéis não é o que deseja para si. Tem alma de escritor. Em suas viagens de metrô até o trabalho e no retorno para casa, faz suas leituras ao mesmo tempo que observa as pessoas e situações, que se tornam as personagens de seus escritos. Consegue sempre muita inspiração, porém nunca teve coragem de mostrar seus textos para niguém. Tem estabilidade profissional mas não é feliz!
Joaquim Venâncio, conhecido como KIMKIM, é um artista de rua, considerado um mendigo, embora quando trabalhasse como garçom, tenha conseguido comprar um lote distante e construído três cômodos, onde mora sem pagar aluguel. Diariamente coloca sua capa azul em cima de alguma fantasia improvisada, de acordo com as notícias políticas que retrata através de cartazes feitos por ele e seu cofre vermelho, onde arrecada o dinheiro para sobreviver no Setor Bancário na Galeria dos Estados. Inteligente, perspicaz, ‘antenado’, com presença de espírito e bom humor, leva para a população as notícias políticas e faz as pessoas rirem com suas caracterizações e jeito próprio de falar. Sua grande paixão são os livros. Nos momentos de descanso, senta-se sob uma frondosa arvora na Praça do Cebolão e lê, acompanhado do vira lata, que também mora na rua e Kimkim nomeou de Guido Mantega. É seu companheiro fiel.
Durante o horário de almoço, Arthur observa Kimkim com suas estripolias e comentários políticos espirituosos e ri muito. São momentos de alegria durante o dia. Kimkim por sua vez continua com a liberdade de se expressar nas ruas, embora algumas vezes, pessoas que se acham superiores, tendem a humilhá-lo e alguns até tentam agredi-lo fisicamente, ele não revida, já se acostumou a ser diferente e as pessoas não aceitam os diferentes. Em um desses dias onde quase foi agredido, Arthur consegue salvar Kimkim e passam a ser amigos. Arthur fica impressionado como um mendigo vive sempre com livro na mão e lê quando descansa. Tornaram-se confidentes e sempre que podiam, conversavam como velhos amigos.
Kimkim resolve que precisa de um emprego fixo e se determina a voltar aos estudos para prestar concurso. Deixa a rua e passa todos os dias a entregar currículos, fazer entrevista e estudar, entretanto,dois meses se passam e ele não consegue nada. Ao ligar a TV, vê grande movimentação na Esplanada dos Ministérios. O povo está fazendo uma grande manifestação contra o governo, todos de cara pintadas e gritando palavras de ordem. Pulou do sofá, deixou a tristeza de lado e percebeu que deveria participar da manifestação, era ‘sua praia’ e não poderia ficar de fora.
Arthur saiu do trabalho e viu aquela multidão de gente reunida na porta do Congresso Nacional e soube que não poderia ficar longe desse momento histórico, queria fazer parte desse momento de mudança no país. Ao longe viu Kimkim ser levantado e comandando o coro de pessoas que gritavam suas palavras de ordem, naquele momento percebeu que a multidão precisava ser comandada e Kimkim era esse comandante.
Momento único na vida de ambos. Arthur eufórico e empolgado, volta para casa com a cabeça fervilhando de ideias e coloca tudo no papel, escreve desembaladamente até a exaustão. No dia seguinte ao reler seu texto, viu que tinha escrito uma peça teatral e a personagem principal era inspirada em Kimkim.
A vida de ambos mudaria em breve e para melhor...

CITAÇÃO:

“[...] Mas acredito sempre que nossos sonhos têm a medida da nossa coragem.” (pág. 146)


“[...] Livre-se de seu medo e será feliz. O medo prende sua felicidade. Seu futuro depende de sua força de espírito e de sua coragem.” (pág. 152)

“[...] Acordei com um sorriso no rosto, que não saiu mais de mim o dia todo. Sonhar é meu combustível. Faz parte de minha essência. Sonhar sustenta minha vida.” (pág. 156)

“[...] Alguns até são felizes ali. Não quero criticá-los, pois cada um sabe a sua medida da felicidade. Eu estava infeliz lá e procurei mudar. Acreditei, venci meus medos, tive coragem, arregacei as mangas e fui à luta. Minha felicidade está no mundo da fantasia, dos sentimentos e dos sonhos. Levar uma vida comum, sem sentimentos e emoções, faz-me muito mal.” (pág. 165)


ANÁLISE CRÍTICA E DO AUTOR:


Já sabem, né? Tenho grande dificuldade em fazer resenhas de livros que gosto muito e com esse não é diferente, porque foi o melhor livro lido no ano até agora. Não é de autor conhecido, não é uma das fantasias ou romances que costumo ler, não vejo divulgação ou repercussão dele por aí, porém é um livro com que me identifiquei profundamente e traz questionamentos do que realmente queremos para nossa vida. Incentiva a busca da felicidade e de ir em busca dos sonhos. Que não devemos desistir dos nossos ideias e devemos ir em busca de realizá-los.
Não sei se conseguirei transmitir tudo que quero dizer, mas tentarei bravamente...
A primeira coisa a ser dita é que as personagens são muito bem caracterizadas, pessoas comuns que tornam a identificação plena e nos coloca dentro da história, vivendo junto com eles, cada momento, tanto de dor como de euforia. Particularmente me vi em Arthur: bancária concursada para conseguir a estabilidade financeira, leitora compulsiva que arrisca escrever seus textos na surdina, sem mostrar para ninguém e com certa insatisfação durante o período de trabalho, porque sabia que não era aquilo que queria para minha vida. Me vi completamente nele. Bem como me percebi em Kimkim em vários momentos... de bom humor, com piadas sarcásticas sobre política, coração leve, solidário, sem grandes ambição e amante da natureza e dos animais; então, como não embarcar de vez na história deles?
O texto intercalado entre um e outro protagonista, nos faz ir conhecendo aos poucos a história e personalidade de cada um deles. Texto bem escrito e espirituoso que mostra a realidade de muitas pessoas e torna a leitura mais crível e mesmo que em alguns momentos dolorosa, traz um tom hilário que a torna descontraída.
Mostra que o mais importante é irmos em busca de realização dos sonhos e ideias. Eles não cairão do céu de ficarmos acomodados e não tomarmos a decisão de mudar e correr atrás, mas que também o destino interfere às vezes, conspirando a favor de que não se acomoda e que vai em busca das realizações.
E por fim, traz um final que apesar de um pouco corrido e com uma pequena passagem de tempo, é fechado, com todas as questões esclarecidas, não deixando dúvidas e mostrando como tudo se encaixou perfeitamente. Na minha opinião, faltou apenas um único detalhe a ser esclarecido, que foi em relação a família de Kimkim, gostaria de ver mais sobre eles.
Claro que não consegui transmitir meus sentimentos com a leitura, é algo que cada leitor terá de sentir ao ler esse livro. O que posso dizer é que vale muito a pena. É uma grande injeção de ânimo para aqueles que não tem esperança de melhorar na vida. É um estímulo para a busca da felicidade nas pequenas coisas. É um refrigério para os momentos mais tensos da vida. Uma leitura deleite e de aprendizado.
Mais do que recomendado para todos, porque mesmo que já se sinta completo e satisfeito com sua vida, o que acho bem difícil, terá ao menos uma leitura atual e cheia de momentos hilários e descontraídos. Vai pode sentir-se um Desafinado no coro dos contentes...


NOTA : 5,00* de 5,00



SOBRE O AUTOR:

Minha foto


Aguinaldo Tadeu nasceu em Belo Horizonte e já morou em Conselheiro Lafaiete, Congonhas, Carmópolis de Minas, Teresina, São Luís do Maranhão e, atualmente, anda meio perdido pelas tesourinhas de Brasília. É autor dos livros de poesias: De mineiro e louco, com mais um pouco (2006) e Enquanto eles jogam bombas (2009). Pela editora Giostri, é autor do livro de contos O dono do rádio (2011), vencedor da Bolsa de Criação Literária da Funarte, do romance Desafinados no coro dos contentes (2014) e do livro infantil A voz dourada das cidades (2017). Publicou crônicas e poesias em jornais, revistas e antologias. Gosta de livro, música, futebol, xadrez e viagens, tanto de olhos abertos quanto fechados. Gosta da poesia dos passarinhos, do encanto das flores e da maluquice dos loucos de todo o gênero que encontra pelas ruas. Gosta de contar e ouvir casos, os reais e os imaginários, tomando um café de rapadura à beira de um fogão à lenha. Acredita nas coisas mais simples da vida. Vive com a cabeça nas nuvens.

Exemplar cedido pela Oasys Cultural.


A imagem pode conter: texto



CHEIRINHOS
RUDY



6 comentários:

  1. Ola Rudy!! Não conhecia o Autor,mas fiquei imensamente curiosa com esse livro, adorei as citações que vc escolheu, adoraria ter a oportunidade de ler o livro, realmente ser diferente incomoda muita gente!!

    ResponderExcluir
  2. Só pelas grandes citações do livro, podemos relacioná-lo a um romance filosófico. Gosto de ficções cujos personagens são seres pensantes e analisam tudo ao seu redor. Mesmo com o preconceito que ainda é inserido na literatura nacional, eu a prefiro ultimamente do que a estrangeira. Temos bons autores, ávidos, inteligentes, cultos e com ótima escrita. Só falta serem descobertos e reconhecidos. Pelo que vejo não se trata de um romance vago, mas uma pujança de pensamentos do próprio autor.

    ResponderExcluir
  3. Olá!
    Que interessante Rudy!
    Pois como sempre digo, a verdade incomoda...pois faz as pessoas pensarem...agir...enfim Viver...
    Não conhecia...
    A Capa diferente...criativa e tudo a ver com o livro... Gostei bastante da simplicidade...
    Deu vontade de ler...é um tipo de leitura que precisamos ler...principalmente os jovens, pra vê se acordam dessa sonolência que eles tem...de que tudo é a jato...se não for, não serve, não presta, mas tbém não faz nada para melhorar...

    Um super bjo!

    Alê - Bordados e Crochê
    Facebook
    Twitter
    Instagram

    ResponderExcluir
  4. Que linda e emocionante resenha, miga, parabéns!!!
    Eu adoro livros assim, que nos incita a sonhar mais, a lutar pelos nossos sonhos, por mais difíceis e por mais medos que tenhamos!
    Claro que já quero!
    Tô precisando!
    bjão

    ResponderExcluir
  5. Olá Rudy!
    Não tinha conhecimento desse autor mas ao ler a resenha desse livro, com certeza tem uma historia maravilhosa. Um livro que tem uma forma de demonstrar que nunca devemos desistir dos nossos sonhos por mais que difícil seja, porque algum dia conseguirá!
    Com certeza quero ler!

    ResponderExcluir
  6. Que legal vc ter gostado tanto do livro. Eu fiquei bastante interessado pela sinopse, parece ser bem interessante e diferente do que tenho visto por aí também. Duas realidades distintas retratadas no enredo. Dica anotada.

    ResponderExcluir

Adoro ler seus comentários, portanto falem o que pensam sem ofensas e assim que puder, retribuirei a visita e/ou responderei aqui seu comentário.
Obrigada!!
cheirinhos
Rudy