Existem dias em que o mundo parece barulhento demais.
A rotina atropela, as notícias pesam e a mente vira um emaranhado impossível de desatar. Nesses dias, eu me refugio na leitura, masu não quero o novo, o disruptivo ou o choque. Eu quero o conhecido. Eu quero o que eu chamo de conforto literário.
Histórias leves costumam ser chamadas de escapismo.
Eu prefiro pensar nelas como um mecanismo de sobrevivência. É o lugar para onde a gente vai para lembrar que o mundo ainda pode ser gentil.
Mas o que, afinal, faz um livro ser um abraço em forma de papel?
Analisando as histórias que eu consumo e, principalmente, as que eu escolho escrever, cheguei a alguns pilares da minha própria Teoria do Conforto:
No conforto, o final feliz não é um spoiler - é uma promessa.
A gente não lê para saber se eles vão ficar juntos ou se a dor vai passar, mas para acompanhar o como. O prazer está na jornada segura. Em saber que, independentemente do caos no meio do caminho, o autor vai segurar a nossa mão e nos deixar em um lugar melhor do que onde nos encontrou.
Livros de conforto costumam focar no pequeno.
É o detalhe do café servido na xícara favorita, o som da chuva na janela, o diálogo bobo que faz a gente sorrir sozinha. São histórias que celebram o cotidiano e nos lembram que a beleza mora nos detalhes e não apenas nos grandes eventos épicos.
Sabe aquele personagem que parece que entenderia exatamente o que você está sentindo agora?
O conforto literário traz pessoas reais, com medos reais, mas tratadas com uma dose extra de empatia. No meu processo, criar o amor que cura é justamente sobre isso: dar aos meus personagens a chance de serem imperfeitos, mas também de serem acolhidos.
Às vezes, existe a ideia de que escrever algo leve é mais fácil.
Mas a verdade é que manter o equilíbrio entre o “quentinho no coração” e uma história com alma exige um esforço enorme de curadoria emocional. É preciso saber dosar o conflito para que ele não quebre o encanto, mas seja real o suficiente para que você se importe.
Porque o conforto só funciona quando é honesto - e honestidade nunca é simples.
Recentemente, ao escrever Depois Daquele Beijo, percebi o quanto eu mesma precisava dessa leveza. Escrever sobre o amor que cura acaba curando a escritora também.
O conforto literário diz muito sobre quem somos e sobre o que precisamos naquele momento.
Se você pudesse morar dentro de um livro por um final de semana, qual seria?
O que não pode faltar em uma história para ela ser o seu lugar seguro?
Vamos conversar nos comentários.
Quero muito saber quais são os seus refúgios. 💛
O Meyerverso é esse meu cantinho de refúgio: onde as histórias oferecem abrigo, as palavras desaceleram e a gente pode pousar sem precisar explicar nada. A cada edição, duas quintas ao mês, compartilho reflexões sobre escrita, leitura e esse amor que acolhe tanto quem lê quanto quem escreve. 💛
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Adoro ler seus comentários, portanto falem o que pensam sem ofensas e assim que puder, retribuirei a visita e/ou responderei aqui seu comentário.
Obrigada!!
cheirinhos
Rudy