Escrever, para mim, nos últimos tempos, foi um processo calmo.
Quase meditativo.
Não é segredo para vocês que me acompanham que passei um bom período sem escrever e que voltei a me reconectar com esse meu lado há pouco mais de um ano. Então, tenho escrito sem pressa, construindo aos poucos, vivendo a história devagar, enquanto desbravo sentimentos linha por linha.
Estava retomando meu lado escritora como quem quer ter um jardim: plantando sementes, regando e esperando as flores crescerem.
Eu tinha todo um planejamento para o meu próximo lançamento, mas ele mudou completamente com algumas coisas que aconteceram na Bienal… e depois dela.
Para começar, o livro que já estava pronto precisou de uma pausa estratégica por motivos alheios à minha vontade. E me vi sem nada inédito para lançar no segundo semestre. Até que… a inspiração chegou.
Mas não veio como as águas calmas de um rio…
Foi basicamente um tsunami que consumiu tudo.
Em trinta dias, escrevi quase 75 mil palavras.
Setenta e cinco. Mil. Palavras.
Para vocês terem uma ideia, minha média é de mil a mil e quinhentas palavras por dia.
E não escrevo todo dia.
Ser autora não é uma profissão integral por aqui.
Divido o meu tempo com minhas atividades profissionais, todas ligadas à literatura, mas que consomem a maior parte do meu dia.
Mas o livro novo chegou me colocando em uma maratona emocional, criativa e - não vou mentir - completamente insana.
Escrevia pela manhã e à noite.
Todos os dias, eu acordava e pensava: “hoje vai ser só mais um capítulo”.
E de repente era madrugada, e eu ainda estava com a cabeça na história.
Tentei frear.
Mas não teve jeito.
Ela queria nascer. Inteira. Agora.
No último dia de escrita, eu fechei o notebook e… desabei.
Meu corpo pediu trégua.
A gripe veio como se dissesse: “muito bem, agora você vai parar de fingir que não está exausta.”
E eu parei.
Naquele momento, entre lenços de papel e um estoque de antigripais, olhei para tudo o que escrevi e senti uma coisa que, às vezes, a gente esquece de sentir:
Orgulho.
Orgulho de ter terminado.
De ter confiado em mim mesma.
De ter me deixado guiar por uma história que, no início, eu nem sabia que estava pronta para contar.
Que eu nem sabia se saberia contar.
Esse livro ainda é segredo.
Mas ele está chegando.
O Meyerverso vai entrar em uma nova era… você está pronto para isso?
💛 Escrever, às vezes, é esperar pacientemente pelas palavras. Outras vezes, é segui-las em uma corrida inesperada. Essa newsletter é onde divido cada passo da jornada: os lentos, os acelerados, os incertos. A cada 15 dias, sempre às quintas, compartilho reflexões sobre literatura, escrita e tudo o que me atravessa, na esperança de que também toque você. Nos vemos na próxima edição! ✨