Escrever é, por natureza, um ato de exposição.
Mas, depois de alguns anos e algumas milhares de palavras, a gente acaba construindo uma espécie de casa segura.
Uma linguagem que dominamos.
Um tom que sabemos sustentar.
Um território emocional onde tudo parece previsível - no melhor e no pior sentido.
Para mim, essa casa sempre teve o cheiro do agora.
Eu sabia como meus personagens falavam, se moviam, se conectavam com o mundo.
Era familiar. Era confortável. E, por muito tempo, foi exatamente ali que minhas histórias precisaram existir.
Até que, em algum momento recente, eu decidi abrir mão do conforto.
Sair da zona de conforto na escrita não é, necessariamente, trocar de gênero.
Às vezes é trocar de lente.
Outras vezes, é aceitar escrever sobre coisas que, em outro momento da vida, eu juraria nunca tocar.
É se permitir explorar tempos que não vivi.
Corpos que não reconheço de imediato.
Dinâmicas que me tiram do controle absoluto da narrativa.
Escrever sem GPS é isso:
não saber exatamente onde a história vai dar e, ainda assim, continuar andando.
Quando a gente escreve fora do lugar conhecido, não é só a técnica que muda.
É a postura.
A pesquisa cansa.
A insegurança aparece.
O medo de errar fica maior.
E a pergunta vem, insistente:
por que não fiquei onde eu já sabia fazer?
Talvez porque repetir o que já dominamos não seja crescimento.
Talvez porque a escrita também precise de risco para continuar viva.
A resposta nunca vem no planejamento perfeito.
Ela aparece naquele momento raro em que a história respira sozinha.
Quando um cenário começa a ganhar textura.
Quando um personagem se impõe, mesmo sendo estranho para nós.
Quando a narrativa pede menos controle e mais entrega.
É ali que a escrita deixa de ser confortável e volta a ser mágica.
Me permitir escrever coisas diferentes - em tom, contexto ou imaginário - me lembrou de algo essencial:
eu comecei a escrever porque era divertido.
Porque era curioso.
Porque era um espaço onde tudo podia acontecer.
E é isso que eu quero da escrita:
um lugar seguro e divertido, onde posso deixar meu coração me levar.
Hoje, eu escrevo assim:
com menos medo de sair da rota
e mais vontade de descobrir o que existe depois da curva.
Ainda estou construindo.
Ainda estou testando.
Mas o ar fora da zona segura é revigorante.
E, às vezes, isso basta.
E você?
Qual foi a última vez que você se permitiu ser iniciante em algo que ama?
P.S.: Talvez esse ar revigorante que mencionei venha de uma época que não vivi… mas que comecei a vivenciar através das palavras bem de perto. Em breve, convido vocês a caminharem comigo por essa nova rota.
O Meyerverso é esse meu espaço de experimentação e afeto: onde as histórias podem mudar de forma, a escrita pode brincar e o caminho não precisa estar todo mapeado. A cada edição, compartilho um pouco do que escrevo, do que aprendo e do que ouso tentar. Obrigada por estar aqui. Por caminhar comigo, mesmo quando a rota muda. Seguimos. Com curiosidade, coragem e coração aberto. ✨
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Rudy