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Sinopse: |
Jude Estou em uma queda vertiginosa e só a mão firme do Bennett pode me salvar. Ao mesmo tempo, preciso do toque gentil do Archer para me segurar. Quando Archer, o empresário da nossa banda, contrata Bennett para me impedir de me autodestruir no periodo de hiato da banda, talvez eu finalmente tenha encontrado alguém que não vai aceitar minha atitude de rockstar.
Archer O Queda Vertiginosa é o meu xodó. Mas é óbvio que não tenho feito um bom trabalho, porque todos eles estão se autodestruindo, de uma maneira ou de outra. Para ajudar Jude, o baterista da banda, só consigo pensar em um homem: Bennett. Infelizmente, ele também é o homem que deixei escapar há dezesseis anos e ainda não superei.
Bennett Controle é a minha praia. O que provavelmente explica por que sou o melhor no ramo quando se trata de colocar celebridades fora de controle de volta nos trilhos. Quando meu ex me liga dizendo que precisa desesperadamente da minha ajuda, não consigo recusar. Entre o baterista irritantemente sexy que não faz ideia da encrenca em que está se metendo e meu ex mais bonito do que nunca, não tem como isso não dar problema.
Com a banda em hiato, os três vão se confinar em uma casa na Califórnia para lidar com os vícios de agora e os desastres do passado. As coisas vão ficar interessantes. |
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Faixa 1: Lado A |
Anestesiado |
Jude |
Meu corpo está anestesiado quando deslizo para fora dos lençóis de seda da minha cama king size. O suor escorre pelo meu corpo, hematomas no formato de digitais sobressaem-se nas minhas coxas, o preservativo usado está preso no meu pau, mas eu me sinto indiferente a tudo isso. É quase como se eu estivesse olhando para o corpo de outra pessoa e não para o meu. |
Belisco minha coxa, procurando qualquer sensação, mas não sinto nada. Humm. |
— Topa mais uma rodada, garanhão? — sugere uma voz sem corpo atrás de mim. Eu me viro e, por um segundo, fico surpreso ao ver o homem na minha cama, deitado de lado, sorrindo lascivamente para mim. Então, eu pisco, e a minha realidade entra em foco; eu sou a porra do Jude Katz, baterista da banda de rock mais foda do planeta, e tem um garoto de programa na minha cama esperando seu pagamento… ou, mais precisamente, tentando ganhar mais dinheiro. |
— Hm-hm — grunho, indo até a mesa de cabeceira para pegar um chumaço de notas de cem. Tiro algumas de cima e as jogo na cama. — Vou tomar um banho, não roube nada quando estiver saindo, meu empresário odeia pra caralho quando sou roubado. |
— Com licença — bufa. — Eu não sou um gigolô. |
Dou de ombros, incapaz de demonstrar o mínimo interesse em seu protesto. |
— Pegue o dinheiro, ou não pegue, eu realmente não dou a mínima. |
Se o homem tinha mais alguma coisa a dizer, não escuto e fecho a porta do banheiro ao entrar e abrir o chuveiro. Tiro a camisinha do meu pau e a jogo na lata de lixo mais próxima, uso a mão livre para trancar a porta do banheiro para que o embuste não venha com nenhuma ideia de entrar no chuveiro comigo. Nunca entendi por que fazem isso; nós nos divertimos, agora dá o fora. Não é um conceito difícil de entender, principalmente depois que já paguei pelo seu tempo e mandei meter o pé, geralmente, com palavras demais. |
Enquanto espero a água esquentar, abro a primeira gaveta do gabinete e pego o potinho com a minha cocaína… ou, ao que parece, sem a minha cocaína, porque está vazio. |
— Caralho — resmungo para mim mesmo e jogo o pote vazio no chão sem cuidado. |
Olho para a minha imagem no espelho e percebo uma manchinha de sangue indo do nariz até o lábio superior. Estico o braço no chuveiro para testar a temperatura e, depois, uso a água nos meus dedos para limpar o sangue seco. |
Quando finalmente entro embaixo da ducha quente do chuveiro, afundo contra a parede e fecho os olhos, me concentrando para conseguir sentir as gotas escaldantes da água em cima de mim. Odeio essa sensação, a descida depois da euforia. Eu devia ter planejado melhor para ainda ter cocaína disponível. |
Abro os olhos e coloco as mãos em concha para pegar um pouco de água e jogar no meu rosto, antes de pegar minha esponja e esfregar minha pele até ela ficar vermelha e esfolada. |
Não sei bem por quanto tempo fico no chuveiro depois que me lavo, mas, em dado momento, começo a tremer e, depois de alguns minutos, percebo que provavelmente deve ser porque a água ficou fria. |
Quando saio do banheiro, deixando um rastro de água no meu piso de madeira chique pra caralho, fico aliviado em ver que aquele fulaninho foi embora e aparentemente não levou nada. Pelo menos, nada que eu fosse perceber ou sentir falta. |
As notas que joguei na cama sumiram e eu bufo, achando graça. Não é um gigolô, meu pau. |
Abro minha gaveta da cômoda para procurar a cocaína que eu deixo escondida ali e também não encontro. |
— Que porra do caralho — suspiro, coçando distraidamente meu braço onde minha pele está arrepiada. |
Depois de procurar em mais alguns esconderijos e não encontrar, me contento em me servir de um copo de uísque e me acomodo na minha poltrona grande que fica de frente para a janela, recebendo as luzes da cidade, que iluminam minha sala de estar e projetam sombras com formatos estranhos. |
Meu telefone toca e vejo que é a décima ligação perdida na última hora. Isso só pode significar uma coisa: Linc fez de novo. |
Uma sensação ruim se instala no meu peito. Antes de assinarmos o contrato com a gravadora Epic anos atrás, Lincoln era o meu melhor amigo no mundo. Isso foi antes de ele chegar no fundo do poço… ou, talvez, eu que tenha chegado. É mais provável que ambos estejamos perdidos, chapinhando desleixadamente e esperando que alguém jogue uma boia salva-vidas antes que nos afoguemos. Conhecendo nós dois, conseguiríamos foder com qualquer tentativa de resgate. |
O bipe do correio de voz soa no meu celular, e eu o levo ao ouvido, sem me surpreender ao ouvir o empresário da banda, Archer, no outro lado da linha, parecendo esgotado. |
— Jude, me ligue de volta. Eu não consigo lidar com você e Lincoln se afundando ao mesmo tempo. Então, pelo amor de Deus, não se meta em nenhuma confusão esta noite. Estou com Lincoln no hospital; me retorne se você se importa com os detalhes. |
Apago a mensagem e levo o copo de uísque à boca, esvaziando-o num gole, depois, o jogo na parede, satisfeito com o som do vidro explodindo quando ele se espatifa no chão. A destruição é gratificante, mas não o bastante. Quero vasculhar meu apartamento caríssimo e transformar tudo que vejo em destroços. Se eu tivesse energia, faria isso. |
Com a onda da cocaína indo embora do meu corpo, começo a me sentir pesado demais para me mexer. Então, em vez de sair quebrando tudo, jogo a cabeça para trás e espero o sol que nasce pintar o céu de rosa e laranja. Eu costumava achar que cada nova manhã era uma nova oportunidade, a chance de fazer as coisas melhores… certas, para variar. Que babaca idealista eu era naquela época. Um novo dia não significa merda nenhuma a não ser outra chance de decepcionar todo mundo. |
Acendo um cigarro e inspiro profundamente, a fumaça queima meus pulmões e minha garganta. Não me importo em pegar um cinzeiro, com a mão pendurada no braço da poltrona, deixo as cinzas caírem formando um montinho no chão enquanto olho pela janela. |
Corro os dedos distraidamente pelos meus lábios dormentes, deixando meus olhos fecharem, e vejo o rosto sorridente de Archer na noite em que ele nos abordou pela primeira vez pedindo uma demo para a gravadora. Ele era jovem e cheio de otimismo sobre o futuro, igual a nós quatro. Quando nós lhe contamos o nome da banda, ele riu e disse que esperava que chamar a banda de Queda Vertiginosa fosse como dizer a alguém para quebrar a perna antes de uma apresentação ou chamar um cachorro de Sortudo. Algo tão irônico só poderia ser um bom presságio, certo? Acho que mostramos a ele. |
Meu peito dói e eu queria pra caralho ainda ter cocaína. Quero cheirar outra carreira para espantar essa sensação. Desse jeito, não consigo fazer nada além de ficar sentado aqui e tentar descobrir em que momento a minha vida deu tão errado. Acho que meu pai estava certo sobre mim: nunca estive destinado a ser nada além de um fodido. |
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Archer |
Devolvo o celular para o meu bolso e suspiro enquanto afundo contra a parede mais próxima. Uma maca passa e, por um segundo, posso imaginar claramente Lincoln com um lençol cobrindo seu rosto pálido e sem vida. A imagem me atinge profundamente, me deixando sem fôlego quando fecho os olhos e balanço a cabeça tentando me livrar do pensamento. |
Não tenho certeza do que me fez ir até o apartamento de Lincoln esta noite, acho que foi um pressentimento. Talvez tenha sido um instinto que nasceu de uma década de tentativas de impedi-lo de se matar. |
Minhas mãos tremem quando as ergo para o meu rosto e as passo pelos cabelos, puxando-os suavemente, e respiro fundo. Tudo está desmoronando e eu não consigo evitar me culpar. Eu sou o empresário da banda, esses meninos são, literalmente, meu trabalho. E, enquanto eu tomava conta, Lincoln tentou se matar duas vezes, sem falar de sua autoagressão casual que nunca consegui fazê-lo parar. Mas, esta noite, foi a pior em oito anos. Se eu não tivesse aparecido… |
Balanço a cabeça outra vez e tento não pensar sobre o tom azulado da pele de Lincoln quando entrei em sua varanda esta noite e o vi desmaiado no frio congelante com hálito de uísque. Não sei se ele estava tentando se matar, mas com toda a certeza ele não estava se esforçando para se manter vivo. |
Alguma coisa tem que mudar ou então, em vez de sair em turnê, os meninos irão para o funeral de Lincoln. Porra, talvez Jude siga o exemplo e cheire tanta cocaína que iremos matar dois coelhos com uma cajadada só. |
A ideia de algo acontecer com Jude faz meu sangue esfriar e minha mão, inconscientemente, vai ao meu celular outra vez. Digito o número de Jude e prendo a respiração enquanto toca. Atende, atende, atende. |
Depois de dois toques, cai na caixa postal, e eu cerro a mandíbula. Ele recusou minha ligação. Eu deixo uma mensagem sobre Lincoln estar no hospital e ele recusa a porra da minha ligação. Parte de mim quer pegar o celular e fazer alguma coisa sobre essa atitude de merda dele. Ele precisa de alguém para ensiná-lo boas maneiras, mas Deus sabe que essa pessoa não serei eu. Eu sou muito condescendente, muito molenga com a banda. Sinceramente, molenga demais para o bem deles. Talvez seja por isso que as coisas estejam desmoronando. Se eu fosse mais como o Bennett, meu ex, tenho certeza de que Lincoln e Jude estariam bem controlados. |
A parte petulante de mim quer ligar para ele de novo, continuar ligando até ele atender, e eu ter a certeza de que ele está bem. Imagino que, se ele está consciente o suficiente para ignorar minha ligação, então deve estar bem, mas não sei se o nó no meu estômago vai se desfazer até escutar sua voz. |
— Sr. Schulman? — A voz do médico tira a minha atenção do celular. |
— Oi — respondo, metendo o telefone no bolso, e olho para ele. |
— Fizemos uma lavagem estomacal em Lincoln e o cobrimos com alguns cobertores aquecidos agora para que a temperatura do corpo dele volte ao normal. Felizmente, parece que o senhor o encontrou a tempo, então, não esperamos nenhuma sequela. Agora ele está descansando e deverá poder voltar para casa em cerca de 24 horas. |
— Obrigado. — Solto um suspiro de alívio com a notícia. — Seus dedos não sofreram queimaduras pelo gelo? |
— Não, parece que ele vai viver para tocar guitarra outra vez — garante-me o médico com um sorriso. |
Talvez pareça egoísmo que a habilidade de Lincoln tocar guitarra esteja no topo da minha lista de preocupações, mas eu sou o empresário da banda. Quase sempre, parece que eu sou o único que se preocupa com o Queda Vertiginosa. Isso não é justo. Benji se preocupa e acho que Lando se importa o tanto quanto consegue. Só que isso não é o que imaginei dez anos atrás quando os assumi. Eu tinha 28 anos, jovem e ingênuo, e sem saber se teria determinação suficiente para alcançar qualquer coisa. Acho que eles me mostraram. |
— Obrigado novamente, doutor. Quando posso entrar para vê-lo? |
— Prefiro que ele descanse pelo resto da noite. Vá para casa e descanse um pouco também, volte de manhã — sugere ele. |
— Está bem, obrigado. — Estendo a mão, dando um aperto firme na do médico antes de voltar para o corredor em direção ao elevador e sair do hospital. |
Meu apartamento está silencioso e escuro demais quando entro. São raros os dias em que lamento minha vida de solteiro, muitas vezes argumentando que estou ocupado demais para manter um parceiro feliz de alguma maneira, mas hoje à noite teria sido muito bom ter alguém me esperando chegar em casa. |
A carga em meus ombros parece mais pesada do que o normal quando tiro a calça jeans e a camisa, ficando apenas de cueca antes de me enfiar entre meus lençóis frios. Por um segundo de loucura, considero ligar para Bennett. O quão patético isso seria? Bennett, o único homem que já amei. Se as coisas tivessem sido diferentes, se… |
Esses pensamentos são inúteis. As coisas aconteceram como aconteceram, e não há como voltar e mudar. |
Estremeço debaixo do cobertor, incapaz de me aquecer ou silenciar meus pensamentos. As lembranças e arrependimentos se misturam, me atormentando noite adentro. |
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Faixa 2: Lado B |
O Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas |
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Archer |
O bar era pequeno e lúgubre, mas era exatamente o que meu humor exigia naquela noite. Eu estava ficando cansado dos bares lotados e barulhentos da cidade e começava a pensar que, aos 28 anos, já estava ficando velho demais para ter alguma esperança de encontrar um homem interessante numa boate. |
Bennett e eu já estávamos separados há seis anos. Seis anos de uma procura desesperada por alguém que preenchesse o vazio que ele deixou na minha vida. Seis anos focando na minha carreira e sentindo que não cheguei a lugar nenhum. Seis anos… |
— O que vai querer? — perguntou a linda e jovem garçonete. Ela me deu um sorriso sedutor, e, se eu gostasse da fruta, talvez tivesse aceitado sua oferta silenciosa só pelo fato de estar me sentindo bastante mal por estar solteiro. |
— Uísque… puro — pedi, sorrindo de uma maneira que, eu esperava, fosse mais educado do que encorajador. |
— É pra já. |
Antes que ela saísse, percebi um alvoroço perto da frente do bar. |
— Com licença, o que vai ter aqui hoje? Alguma banda? |
— Ah, sim — respondeu ela com um novo brilho em seu olhar. — Uns garotos da cidade têm uma banda e tocam aqui algumas vezes por mês. Eles são incríveis. |
— É? — Ergo as sobrancelhas, e olho com interesse para o palco improvisado atrás de mim. |
Consegui um estágio na Epic Records assim que saí da faculdade e, ao longo dos últimos seis anos, fui promovido de estagiário não remunerado a assistente de som mal pago. Eu estava em um voo meteórico rumo ao sucesso. Sabia que o único modo de um dia conseguir progredir seria descobrir uma banda para contratar. Sempre sonhei em empresariar uma banda, talvez, um dia, ter a minha própria gravadora. Mas eu entendia a necessidade de começar em algum lugar, pagar as contas. |
Não sabia o quê, mas algo na energia do bar naquela noite, enquanto todos os clientes habituais esperavam esta banda tocar, me dizia que alguma coisa grande estava prestes a acontecer na minha vida. |
A garçonete trouxe meu uísque e o bar pareceu ficar ainda mais cheio com o passar dos minutos, até que, finalmente, um funcionário subiu no palco e todos começaram a aplaudir e gritar. |
— Acho que nossos meninos nem precisam de apresentação — ele riu. — Mas, para os que não sabem do que se trata toda essa agitação, preparem-se para ir ao delírio. Por favor, deem as boas-vindas ao Queda Vertiginosa. |
Eu me vi aplaudindo e assobiando junto com todos os outros quando os quatro jovens assumiram o palco. Eles eram claramente jovens demais para sequer estarem em um bar, porém, ninguém parecia se importar. |
O vocalista, que, mais tarde, eu descobriria ser Lincoln Miller, se aproximou do microfone com uma presença que fez o bar todo prender a respiração. O sorriso fácil foi traído pela expressão ligeiramente assombrada em seu olhar. Tempos depois, eu olharia para trás e me xingaria por não assumir isso como um sinal do que era. Contudo, naquela noite, aquilo me cativou, me fez querer saber mais sobre Lincoln Miller e os homens — meninos, digo — que estavam ao seu lado, tomando conta daquele palco como se tivessem nascido para estarem ali. |
O som deles era destemido e bruto; atual e cheio de algo que não tinha percebido que esperei a vida inteira para escutar. A cada música diferente que tocavam, meus ossos vibravam e meu sangue bombeava com mais força. Lincoln tinha a presença de palco de um astro, mas, por algum motivo, eu me vi incapaz de desviar o olhar do baterista, Jude. |
Lincoln cantava e desfilava no palco, dedilhando sua guitarra com a naturalidade de uma tarefa fácil e corriqueira. Benji atraía olhares de admiração de homens e mulheres enquanto seus dedos fluíam agilmente pelo teclado e seus longos cabelos loiros caíam sobre seus ombros. Lando sorria e piscava para o público enquanto mantinha o ritmo com seu baixo. Mas Jude… Jude era fascinante para mim. Ele estava sentado diante de sua bateria; as baquetas, uma aparente extensão de si mesmo, tocando como se sua vida dependesse disso. O suor pingava, fazendo sua camisa aderir ao seu corpo esbelto e seus cabelos despenteados caírem e grudarem em sua testa. Então, nossos olhares se encontraram, apenas por uma fração de segundo, mas senti um choque em cada célula do meu corpo. Ele nem sequer pareceu registrar isso ao voltar sua atenção à bateria sem perder um compasso. |
Ao terminarem a setlist, eu estava pronto para lhes oferecer qualquer coisa, incluindo minha própria devoção eterna, para que considerassem assinar com a Epic Records. |
— Isso é tudo por hoje, pessoal — anuncia Lincoln enquanto suas notas finais da última música reverberam pelos autofalantes. Sua declaração foi recebida com vaias e súplicas por mais uma música. Ele riu ao jogar a guitarra nas costas. — É dia de semana, pessoal, e, a qualquer momento, meus pais provavelmente vão perceber que saí. |
Dia de semana? Eu sabia que eles eram novos, mas perceber o quanto me atingiu em cheio. Rezei com todas as forças para que eles tivessem dezoito anos, idade suficiente para assinar um contrato. Claro que eu sabia que poderíamos falar com os pais se não tivessem, só que isso sempre era uma dor de cabeça a mais que ninguém gostava de lidar. |
Joguei mais dinheiro do que o necessário na mesa para pagar minha bebida junto com uma gorjeta generosa, depois me levantei e passei pela multidão em direção à banda. |
— Ei — gritei quando me aproximei. Lincoln se virou para mim com uma expressão curiosa. — Vocês têm um minuto? |
— Na verdade, não — respondeu ele, quase sem diminuir o ritmo ao enrolar os fios dos amplificadores. Os outros também faziam suas partes para desmontar o equipamento. |
— Sério? — Arqueei uma sobrancelha, apelando para cada grama de confiança que consegui. — Nem mesmo um minuto para um cara que quer tornar vocês astros do rock? |
Lincoln fraquejou nos movimentos e os outros rapazes também pararam, todos claramente prontos para escutar agora. |
— Você está de sacanagem com a gente? — perguntou Jude fazendo careta. |
— Juro por Deus — garanti-lhe, tirando o meu cartão de visita do bolso. Não era nada impressionante, mas nele estava escrito “Epic Records”. |
— Epic Records? — Benji leu o cartão, arregalando os olhos. — Por favor, me diz que isso não é nenhuma pegadinha de mau gosto. |
— Não é uma pegadinha. Vocês são… — Balancei a cabeça, sem nem mesmo conseguir encontrar uma palavra para descrever o que eles eram. — Autênticos — declarei, enfim. |
— Sério mesmo? Você quer assinar um contrato com a gente? — perguntou Lincoln. |
— Quero que vocês venham gravar uma música demo para eu mostrar para os meus chefes — esclareço. |
— Puta merda, quando? |
— Sei que vocês estão com pressa de ir para casa, por que não me ligam amanhã e combinamos? |
— Certo, ótimo, vamos ligar — concorda Lincoln com um sorriso, olhando para seus colegas de banda mal contendo sua alegria. |
— Ah, por favor, me digam que vocês têm dezoito anos! |
— Nós temos dezoito anos — confirmou ele, e eu soltei um suspiro de alívio. |
— Perfeito, estou ansioso para conversarmos amanhã. Acho mesmo que podemos fazer coisas maravilhosas juntos. Vocês têm potencial para chegar longe. |
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Muita coisa,legal! Muito lançamento bom!
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